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22 de Abril de 2021

Trabalhadores são achados comendo e dormindo junto com porcos no Piauí

Situação degradante análoga à escravidão ocorria no Norte do estado. Trabalhadores faziam o corte da palha da carnaúba em propriedades privadas.

Lucas Bezerra Vieira, Advogado
Publicado por Lucas Bezerra Vieira
há 6 anos

Alojamento junto com chiqueiro de porcos no Piau Foto Ministrio Pblico do Trabalho Trabalhadores foram encontrados dormindo junto com porcos durante uma fiscalização do Ministério Público do Trabalho no Piauí. A situação degradante análoga à escravidão acontecia em alojamentos de cidades na região Norte do estado, com trabalhadores que faziam o corte da palha da carnaúba em propriedades privadas.

"É uma situação que desconfigura totalmente a dignidade do ser humano, transforma o ser humano em animal também", afirmou o procurador do Ministério Público do Trabalho, José Wellington Soares.

Foram visitados os locais de trabalho de 160 pessoas e somente em uma localidade, onde 30 pessoas trabalhavam, a situação era regular.

Carne era guardada fora da geladeira em alojamentos Foto Ministrio Pblico do Trabalho

Trabalho de menores

“Nas demais [localidades], a situação era de total precariedade. Três adolescentes de 14, 15 e 16 anos foram encontrados nesta situação na proximidade da Praia do Arrombado, no Litoral do Piauí", disse Cardoso.

Segundo ele, os adolescentes são sobrinhos do contratante e não usavam nenhum tipo de proteção no trabalho."Calçavam chinelos e sequer usavam luvas. O corte da palha de carnaúba é uma atividade proibida para menores de 18 anos por ser perigosa", afirmou o procurador.

Ainda de acordo com Cardoso, também foram encontradas pessoas trabalhando sem equipamentos de segurança e proteção individual e sem carteira assinada. As refeições eram servidas em latas, ao relento, e os trabalhadores comiam no chão próximo a fezes de vaca.

Em um dos locais visitados, a água servida aos trabalhadores era guardada em toneis que antes armazenavam agrotóxicos – e que não podem ser reutilizados por risco de contaminação. gua que os trabalhadores bebiam era acondicionada em depsito de agrotxico Foto Ministrio Pblico do Trabalho

Força-tarefa

Os flagrantes aconteceram durante a execução do Projeto Palha Acolhedora, que aconteceu entre os dias 20 e 24 de julho.

Para o auditor fiscal da Superintendência do Trabalho e Emprego Rubervan do Nascimento, a situação encontrada pela fiscalização é muito distante do que determina a lei trabalhista, por isso serão responsabilizados todos os envolvidos na cadeia produtiva da cera de carnaúba.

“A cera de carnaúba está sendo vendida para o exterior porque parte dela é usada na indústria da computação, por este e outros motivos não vamos deixar que esta produção aconteça como era nas décadas passadas. Existe uma cadeia produtiva que deve e vai ser responsabilizada”, afirmou.

No entendimento do Ministério Público do Trabalho, até mesmo os atravessadores e as indústrias de beneficiamento podem ser responsabilizados judicialmente por obterem lucro numa atividade que, segundo o procurador, viola os direitos fundamentais dos trabalhadores.

O MPT recomendou aos arrendatários que paralisassem as atividades imediatamente e procurassem o órgão para regularizar a situação dos trabalhadores. Serão instaurados inquéritos civis contra todos os exploradores e proprietários das terras onde ocorre a exploração.


FONTE: http://g1.globo.com/pi/piaui/noticia/2015/07/trabalhadores-são-achados-comendoedormindo-junto-porc...

14 Comentários

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Como sempre "O Globo" omite os nomes dos proprietários das terras onde pesoas são escravizadas. Por quê? continuar lendo

Pode ser que seja algum político aliado e não quer incorrer em reincidência...! continuar lendo

A situação pode ser degradante, mas não é escravidão. Se assim fosse, por que parentes estariam trabalhando nesta atividade? continuar lendo

David, dá uma lida na doutrina jurídica sobre "Condição análoga à de escravo".
http://www.ambito-jurídico.com.br/site/?n_link=revista_artigos_leitura&artigo_id=11183&revista_caderno=3 continuar lendo

e não sabiam diferenciar se eram homens ou eram porcos ! continuar lendo

Excelente referência a George Orwell. Obra fantástica e infelizmente ainda precisa. continuar lendo

Escravidão ou não, o fato é que isso é um absurdo. O problema é: e depois? Retiram-se os trabalhadores de lá e colocam onde? E os adolescentes? E como sempre, os nomes são ocultados. Como rebelarmos? Absurdo, absurdo e absurdo. continuar lendo

Sabe-se que o numero de fiscais não são o suficiente. Mas os poucos da região sabem exatamente onde está o problema bem como as autoridades locais. Omitem nomes, mas com certeza são gente muito conhecida na região ou eles iriam simplesmente aparecer com o dinheiro no bolso ou alguma situação onde mostram que são bem de vida. O pior cego é aquele que não quer ver. Mas temos um ponto a favor, alguns dos "ricos" não terão dinheiro todo tempo, não terão sua saúde eterna, até o fim dos seus dias e quando morrerem vão para o mesmo lugar que esses que são suas vitimas. Só não venham perguntar: "Oque fiz para merecer?" (eles saberão) continuar lendo